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Valor da inflação em 2014 surpreende economistas


Valor da inflação em 2014 surpreende economistas

Inflação em 2014 ficou em linha com projecções do Governo, apesar do agravamento da pauta aduaneira e dos combustíveis. Desvalorização do kwanza vai afectar preços.

O custo de vida em Angola subiu 7,48% em Dezembro de 2014, uma baixa 0,21 pontos percentuais (p.p.) face ao mesmo mês de 2013, em que foi de 7,69%, revelam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) elaborados com base no Índice de Preços no Consumidor (IPC) das províncias de Luanda, Benguela, Huambo, Cabinda, Namibe, Cunene e Huíla.

Para 2014, o Executivo havia projectado que a inflação se situaria entre 7% e 9%. Em termos mensais - Novembro a Dezembro de 2014 - o IPC de Dezembro determinado pelo INE, que considera como período de base Dezembro de 2011, indica que os preços variaram 0,73%.

A instituição refere que a classe Bens e Serviços Diversos foi a que registou o maior aumento de preços em Dezembro de 2014, com 1,36%, destacando- se também os aumentos verificados nos preços das classes Vestuário e Calçado (1,25%), Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção (1,17%) e Bebidas Alcoólicas e Tabaco (1,14%).

A classe Alimentação e Bebidas não Alcoólicas - a que mais pesa no orçamento das famílias angolanas - foi a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços (0,27 p.p), seguida de Bens e Serviços Diversos (0,09 p.p), Vestuário e Calçado (0,09 p.p) e Mobiliário, Equipamento Doméstico e Manutenção (0,08 p.p).

O comportamento da inflação surpreende analistas ouvidos pelo Expansão, na medida em que resistiu a medidas que, à partida, deveriam levá-la a subir mais, sobretudo a entrada em vigor da nova pauta aduaneira, que agravou os direitos sobre as importações, bem como a redução dos subsídios aos combustíveis, que ocorreu em duas ocasiões em 2014.

O problema do kwanza fraco

Para o economista Alves da Rocha, admitindo que não há batotas no cálculo do IPC de Luanda, conclui-se que o peso dos transportes na cesta básica com que o INE trabalha para calcular o IPC é reduzido. Só isso explica que o aumento da inflação tenha sido tão reduzido, afirma.

Entretanto, adianta o também professor universitário, o facto de o kwanza estar há cerca de quatro meses a sofrer desvalorizações deslizantes é um factor de subida de preços, dada a dependência do País das importações de quase todos os bens. Assim como a manutenção do valor cambial do kwanza durante muito tempo foi muito benéfica para o combate à subida dos preços, agora tem-se o reverso da medalha, explica.

Na perspectiva do académico, esta situação deverá agravar-se, na medida em que, dada a rarefacção de divisas, o ajuste entre oferta e procura terá de ser feito pela taxa de câmbio, isto é, desvalorizando- a. O Governo, apesar de aprovado e promulgado o OGE 2015, está já a trabalhar em diferentes cenários alternativos para o preço do petróleo, taxas de crescimento do PIB, taxa de inflação e taxa de câmbio, afirma, sublinhado que os ajustamentos terão de ser em baixa.

Para José Cerqueira, também economista, os dados do INE são surpreendentes, sendo necessário ter em conta que os atrasos nos pagamentos, que têm sido crescentes, significam que a taxa real de inflação é bastante superior à indicada pelo IPC. Não deixam de ser surpreendente os dados recentes do INE, afirma, defendendo que esta ou outra instituição deveria dar explicações, senão as más-línguas vão começar a lançar descrédito sobre os dados oficiais, à semelhança do que acontece com outros países, designadamente a Argentina.

É caso para dizer que, se não tivessem ocorrido as altas de preços não programadas pelo Governo, teria havido deflação, ironiza.

Fonte: Expansão

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