contact@aopi.org Tuesday - December 11,2018

Nova pauta aduaneira «forçou» mudança para produtos de menor qualidade


Nova pauta aduaneira «forçou» mudança para produtos de menor qualidade

Consumidores alteraram hábitos alimentares nos casos em que houve subida de taxas e não há oferta nacional suficiente, diz director-geral da Angoalissar.

O aumento de algumas taxas de importação, imposto pela nova pauta aduaneira, em vigor desde o ano passado, levou os consumidores a passarem a comprar produtos de menor qualidade ou a alterarem hábitos alimentares, nos casos em que a produção local é insuficiente para satisfazer as necessidades, afirma ao Expansão o director-geral da Angoalissar.

"Em algumas categorias alimentares em que as taxas aumentaram e em que não há capacidade de produção local suficiente, sentimos que os consumidores ou passaram a comprar produtos de menor qualidade, ou mudaram [a procura] para outros produtos", revela o responsável da companhia de distribuição alimentar. Já no caso das massas - cujos direitos de importação baixaram -, a situação foi oposta e trouxe mais-valias aos consumidores.

"Isto permitiu- nos promover o consumo de massas de melhor qualidade a melhores preços", diz Moe Nesr, que considera que em 2014, "dadas as circunstâncias", os resultados da empresa foram "aceitáveis". "Foi um ano desafiante, mas ainda assim conseguimos subir as vendas face a 2013", diz o gestor, assinalando, contudo, que as taxas de crescimento foram "menores" face a anos anteriores. Moe Nesr não indica, contudo, o volume de negócios.

A nível interno, o ano passado, afirma, ficou também marcado pelo investimento na Academia Angoalissar, um projecto que visa "melhorar as aptidões e capacidade da equipa comercial" da companhia e que, "nos próximos anos, poderá também acolher colaboradores de outros departamentos" da empresa. Para este ano, Moe Nesr prefere não fazer prognósticos, alegando a situação do País.

"É muito difícil estabelecer uma meta de crescimento este ano", diz o gestor, que vê nas dificuldades que se aproximam uma oportunidade. "Não vai ser fácil, para uma economia tão dependente do petróleo, ter o preço do barril abaixo dos 50 USD, mas [a situação] pode ser vista como uma oportunidade para se trabalhar melhor na diversificação da economia e criar empregos em novos sectores, como a indústria ou os serviços", afirma o director-geral.

Presente em Angola há cerca de 25 anos, a Angoalissar é uma das maiores empresas de distribuição alimentar de Angola, tendo o exclusivo de marcas como Bela Vida, Peninsular, Kelloggs, So Klin, A Vaca Que Ri, Gallo, Blue Band, Lux, Johnson & Johnson, No 1, Risqué, Kingstar ou Evian, mas também comercializa produtos angolanos.

Este ano, revela o gestor, a Angoalissar está a trabalhar em dois projectos de produção local, que não especificou. "Vai demorar algum tempo a lançar os produtos, mas esperamos fazê-lo até ao final do ano", diz Moe Nesr, que sublinha a "polarização" do mercado de distribuição em Angola. "O comércio moderno está a crescer a um ritmo rápido, na verdade rápido de mais, enquanto o outro [informal] continua a mudar muito devagar", afirma.

Questionado sobre as principais dificuldades que a actividade enfrenta em Angola, Moe Nesr elege a logística e, ultimamente, o problema das divisas. "O maior desafio às operações em Angola é a logística e, recentemente, a disponibilidade de moeda estrangeira que permita comprar alimentos, equipamentos, medicamentos e outros produtos", diz.

Fonte: Expansão

COMENTÁRIOS