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Corte na despesa pública e mais tensão social testam eficácia de Angola


Corte na despesa pública e mais tensão social testam eficácia de Angola

Os cortes na despesa pública em Angola para contrabalançar a descida das receitas podem fazer aumentar as tensões sociais, tornando esta crise petrolífera num teste à “eficácia institucional” angolana, considera a agência de notação financeira Standard & Poor’s.
“A descida nos preços do petróleo vai ser um teste fundamental à eficácia institucional de Angola, e as respostas totais das autoridades ainda não foram anunciadas; o impacto substancial das receitas em moeda estrangeira e uma taxa de câmbio em queda já estão a ser sentidas pela economia real, com pouca ou nenhuma nova atividade no setor privado a ser noticiada”, refere a agência de notação financeira, que na sexta-feira reviu em baixa o ‘rating’ de Angola.
“Alguns dos cortes na despesa pública que antecipamos podem aumentar as tensões sociais, principalmente considerando os altos níveis de desemprego”, escreve a agência de notação financeira S&P na nota aos investidores.
De acordo com um comunicado de uma das três maiores agências de ‘rating’ do mundo, a alteração segue-se a uma revisão também em baixa da evolução dos preços do petróleo até 2018, o que reduz as receitas de Angola e influencia a avaliação que os analistas fazem do país.
A S&P espera que o défice de Angola se deteriore significativamente, chegando a 5%, em média, entre este ano e 2017, o que contrasta com a expetativa de 1% de excedente das contas públicas em agosto do ano passado.
Por outro lado, a perspetiva Estável de evolução reflete, de acordo com os analistas da S&P, o conjunto de instrumentos financeiros à disposição do Governo e das autoridades monetárias para controlar o impacto de uma quebra prolongada dos preços do petróleo e, por conseguinte, das receitas fiscais.
O ‘rating’, diz a agência, tanto pode subir se as condições macroeconómicas melhorarem, nomeadamente se houver uma diversificação económica real, um crescimento económico maior que o esperado, uma melhoria substancial da capacidade institucional e da transparência, ou se existir uma flexibilidade monetária ou orçamental maior”.
Por outro lado, o ‘rating’ pode ser revisto ainda mais para baixo se “os efeitos adversos do choque petrolífero baixarem as perspetivas de crescimento a longo prazo” e se “a balança de pagamentos ficar pior que o previsto”.
Uma “deterioração do ambiente político ou institucional também pode resultar numa descida do ‘rating’”, avisa a Standard & Poor’s.

Fonte: construir.pt

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