contact@aopi.org Friday - December 14,2018

CaixaBank disponível para ajudar BPI numa solução para Angola


CaixaBank disponível para ajudar BPI numa solução para Angola

Angola sempre foi um mercado importante para as contas do BPI. No entanto, uma exigência do Banco Central Europeu (BCE) levou a que o mercado "El Dourado" se transformasse quase num "Calcanhar de Aquiles" para o banco português. O BPI está obrigado a reduzir a exposição a Angola e continua a estudar alternativas.
O CaixaBank - que detém uma participação de 44,01% no BPI - diz que essa redução da exposição é uma "decisão da administração" mas mostra-se disponível para encontrar uma solução.
"Essa é uma decisão que terá de ser tomada pelo Conselho de Administração do BPI e que responde a uma decisão prévia do BCE. O CaixaBank estudará todas as alternativas possíveis se for caso disso", explicou fonte oficial do grupo catalão, ao Dinheiro Vivo.
Reduzir a participação no Banco de Fomento Angola (BFA) dos atuais 50,1%, deixando assim de ter uma posição de controlo no banco angolano, vender a carteira de dívida pública angolana ou comprar o Novo Banco sempre foram as opções mais faladas como resposta às exigências do BCE.
No entanto, estas eram as possibilidades até ter surgido a OPA do grupo catalão. Embora ainda não haja contas, o Dinheiro Vivo apurou que, caso o CaixaBank venha a assumir o controlo do banco português, o problema de Angola poderá ficar acomodado.
"Sendo a ponderação feita por um grupo maior, essa situação pode ficar mitigada mas caberá ao regulador decidir", explicou uma fonte do sector. Ou seja, caberá ao BCE decidir se numa situação em que o CaixaBank seja dono, ou detenha o controlo, se a ponderação poderá ser feita através no grupo espanhol.
O BCE já tinha dado um prazo ao BPI para que, no decorrer deste ano, reduza os riscos à operação do BFA. O banco liderado por Fernando Ulrich continua em negociações com o BCE para encontrar alternativas - isto depois de a instituição europeia presidida por Mario Draghi ter rejeitado a alteração do método de consolidação.
Negociação com Isabel dos Santos
Angola poderá também ser um ponto de negociação entre o CaixaBank e Isabel dos Santos, que detém 18,6% do BPI através da holding Santoro.
Apesar do CaixaBank ter afirmado que comunicou a OPA aos principais acionistas do BPI, ainda não foi possível saber se haverá ou não um acordo com Isabel dos Santos. "O lançamento desta OPA foi comunicado aos principais accionistas, com os quais temos uma relação muito boa após 20 anos no capital do BPI", afirmou o CaixaBank, ao Económico.
No mercado, são poucos os que acreditam que a empresária angolana não tome uma posição. "Acho difícil que a Eng. Isabel dos Santos fique a ver os espanhóis a tomarem conta do BPI e que não haja uma contrapartida com o BFA ou mesmo uma subida do preço da oferta", explicou uma outra fonte do sector.
No mercado, um dos cenários que ganha cada vez mais força envolve um acordo entre a angolana e os catalães e Angola. Isabel dos Santos poderá sair do BPI - ou fica com os espanhóis a controlar - mas, em contrapartida, passa a deter a maioria do capital do BFA.
Certo é que, sendo o fim da limitação dos direitos de voto uma condição prévia para a eficácia da OPA dos espanhóis, Isabel dos Santos poderá ser uma peça -chave nessa aprovação (ler texto ao lado).
Contactada pelo Dinheiro Vivo, fonte oficial da Isabel dos Santos não fez qualquer comentário.
Subida de preço da oferta
O anúncio do lançamento da OPA fez as ações do BPI dispararem 27%. E apesar de terem recuado ligeiramente na sessão de ontem, os títulos fecharam nos 1,321 euros, ou seja, um valor muito próximo dos 1,329 euros propostos pelo CaixaBank.
Com esta aproximação, começa a ganhar fôlego a possibilidade de os espanhóis terem de vir a rever o preço. É que embora o prospeto do grupo catalão indicasse um prémio de 27% face ao fecho da sessão anterior ao anuncio da OPA, quando avaliada a média da cotação dos últimos seis meses a valorização 0,7%, ou seja, praticamente não há prémio.
Resta saber se o Conselho de Administração do BPI também estará satisfeito com o preço. Isto porque a administração do banco terá de se pronunciar sobre a OPA e tem oito dias para o fazer, depois de recebidos os documentos oficiais, algo que, até ao momento, ainda não aconteceu. Segundo o Dinheiro Vivo apurou o CA do BPI deverá reunir-se na primeira semana de março.
Da parte do mercado, os analistas contactados pelo Dinheiro Vivo já deram o seu parecer, qualificando a OPA de positiva. "É uma operação que faz sentido, é oportuna, a um bom preço e parece-nos que tem todas as condições para ter sucesso", afirmou João Queiroz. Na opinião do diretor de investimentos do Banco Carregosa "não vai haver uma revisão em alta do preço, pois a OPA foi feita de acordo com as exigências da CMVM (acima da cotação média das cotações dos últimos 180 dias de negociação) e também dificilmente haverá uma nova entidade a apresentar uma opa alternativa porque o banco é controlado em 44% pelo actual oferente". O responsável acredita que, tomando o controlo do BPI, "fará muito mais sentido [ao CaixaBank] procurar oportunidades noutras geografias".

Fonte: Dinheiro Vivo

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