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INE volta a corrigir em baixa taxas de crescimento do Governo


INE volta a corrigir em baixa taxas de crescimento do Governo

A economia angolana cresceu 4,2% em 2013 face a 2012, e não os 6,8% até agora avançados pelo Ministério do Planeamento e Desenvolvimento Territorial (MinPlan), de acordo com as Contas Nacionais preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgadas esta semana na respectiva página da Internet.

As divergências entre os números do INE e do Executivo são recorrentes, com o MinPlan a ser sistematicamente mais optimista do que o Instituto. Considerando o período 2003-2013, o MinPlan aponta para um crescimento médio anual de 10,2%, quando na realidade o PIB cresceu apenas 7,7% ao ano.

Uma análise mais fina dos dados do INE permite concluir que foi no período 2005-2007 que o Governo mais exagerou no crescimento da economia angolana. Neste triénio, segundo dados do MinPlan, a economia angolana teria crescido ao estonteante ritmo anual de 20,8%, média simples de taxas de crescimento de 20,6% em 2005, 18,6% em 2006 e 23,2% em 2007.

Já pelas contas do INE, a economia angolana cresceu apenas 15% em 2005, menos 5,6 pp do que o estimado pelo Governo, 11,5% em 2006 (menos 7,1 pp) e 14% em 2007 (menos 9,2 pp). No triénio 2005-2007, o PIB angolano cresceu em média anual 13,5%, menos 7,3 pp do que os 20,8% propalados pelo Executivo. A partir de 2008, os dados do MinPlan e do INE passam a estar mais próximos.

No triénio 2010-2012, a média anual de crescimento do INE chega a ficar 0,1 pp acima da do MinPlan. Algo que se explica pelo facto de em 2012 o Instituto apontar para um crescimento da economia de 7,6%, enquanto o Governo é bem mais pessimista ficando-se pelos 5,2%.

Considerando as contas nacionais nominais em kwanzas, o PIB, isto é, a soma dos bens e serviços finais produzidos em Angola em 2013, ascendeu 13,8 biliões Kz, mais 15% do que os 12 biliões do ano anterior. Por actividade económica, o sector não petrolífero assegurou 61,5% do produto, e o petróleo 38,5%.

Na óptica da despesa, o consumo, com 7,7 biliões Kz, mais 28,2% do que em 2012, afirmou-se como a principal componente do PIB, com um peso de 55,7%.

O investimento ascendeu a 3,3 biliões Kz, o equivalente a 23,7% do PIB, e as exportações líquidas, com 2,8 biliões Kz, valeram 20,6% do PIB. Na óptica do rendimento, o factor capital fica com quase 80% dos rendimentos gerados na economia, correspondentes a 11,0 biliões Kz.

O factor trabalho não fica com mais de 2,9 biliões, equivalentes a 21,1% do rendimento global - a soma é superior a 100% devido aos impostos líquidos de subsídios.

Fonte: Expansão

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