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Angola demasiado exposta ao petróleo, observa Fitch


Angola demasiado exposta ao petróleo, observa Fitch

As medidas adoptadas por Angola para fazer face à queda do preço do petróleo, cuja variação obrigou o governo a rever o seu orçamento para este ano, como se calcula, não resolverão tudo, mas poderão aliviar a crise, lê-se num relatório produzido pela FITCH

Esta agência de notação financeira sugere que “ medidas para diversificar a economia, como cortes na despesa, particularmente reformando os subsídios, e favorecimento do clima de investimento podem fortalecer o perfil de crédito num ambiente de prolongada queda dos preços”.

A FITCH observa também que estando a economia angolana excessivamente ancorada ao petróleo é pouco provável que as contas angolanas voltem a registar conforto tão cedo.

Aquela agência estima que até ao preço do ano o petróleo chegue aos 65 dólares por barril, podendo ir até aos 75 em 2016, ficando assim acima dos termos de referência do orçamento rectificativo, que ficam o preço do barril em 41 dólares.

Num memorando publicado em Dezembro, a Fitch, que até Abril vinha fazendo upgrades consecutivos ao rating de Angola, admitiu poder vir a baixar a “cotação” -.

O provável “downgrade” está ancorado aos choques que a economia angolana vem registando desde que o preço do petróleo entrou em queda.

A Fitch nota que a derrapagem registada no preço do petróleo transformou os ganhos, isto é, os excedentes, em orçamento deficitário. “Tudo vai depender da resposta política à queda dos preços o que será fundamental para determinar se a pressão externa conduz ou não a uma pressão sobre o ‘rating’.

Segundo a Fitch fica evidente que a crise poderá ficar mais acentuada se os preços não subirem. Angola goza desde Abril um rating BB- com tendência Estável, o que foi então o primeiro downgrade em várias anos.

A Fitch descreveu na altura, um cenário idêntico para a Nigéria cujo governo “ está a ser mais lesto a responder”. O outlook para a África Subsaariana indica que embora o rating regional seja “Estável” , há sinais de desconforto. “ O Ghana, o Gabão e a África do Sul Estão no escalão negativo, enquanto que Angola e a Nigéria continuar como estáveis.

Enquanto isso, a Bloomberg dava conta de que em resultado da queda do preço do petróleo as taxas de juros do empréstimos obtidos por Angola iriam eventualmente subir.

No levantamento publicado na última semana a FITCH sugere que excessiva dependência do preço do petróleo resulta que Angola e a Venezuela, cuja economia vive a pior crise dos últimos anos, sejam os produtores de petróleo mais atingidos pela baixa do preço do petróleo. Isto explica em parte o facto de a Noruega e Abu Dhabi tenham recebido daquele agência os melhores ratings. Estão com AAA e AA respectivamente , sendo que Angola e a Venezuela estão “escorregaram” para o que na indústria de chama de “lixo” ou seja abaixo de nível de investimento.

O relatório que dá conta destas projecções diz que a diferença entre Angola e Venezuela, por um lado, e por outro lado, por produtores como a Noruega, detentora de grandes reservas e de um robusto fundo soberano, está exactamente no facto desta ter uma economia diversificada.

A agência de notação financeira Fitch considerou que Angola e a Venezuela são os dois países exportadores de petróleo que serão mais afetados se o preço do petróleo se mantiver à volta dos 50 dólares por barril.

Fonte: O País

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