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Barril exportado caiu para USD 43,74 em Fevereiro e receita recuou Kz 35 mil milhões


Barril exportado caiu para USD 43,74 em Fevereiro e receita recuou Kz 35 mil milhões

A receita petrolífera caiu mais de Kz 35 mil milhões em Fevereiro em relação ao mês anterior, apesar de Angola ter aumentado as suas exportações em cerca de 4,5 milhões de barris no referido mês.

A produção do mês, de acordo com dados do Ministério das Finanças relativos às receitas ordinárias, superou os 57 milhões de barris de crude. A este ritmo de incremento da produção é possível esperar que seja atingida a meta orçamental, fixada em 669,8 milhões de barris, o correspondente a 1,8 milhões de barris diariamente. Se ao longo dos 12 meses do ano fosse obtida a média de produção dos dois primeiros meses obter-se-iam, no final, 660 milhões de barris, sendo que a produção indicia subir.

No entanto, o preço médio de exportação baixou muito sensivelmente em relação a Janeiro, para USD 43,74 o barril de petróleo, situando- me mesmo abaixo da média apurada em Fevereiro na negociação do Brent, que é o tipo de petróleo que serve de referência para as ramas angolanas. Com efeito, em Fevereiro, o preço do Brent, situou-se, em média, nos USD 59,32. Chegou, no dia 17, a atingir USD 63. A cotação mais baixa registada pela matéria-prima foi de USD 52,35, logo a começar o mês.

Apenas duas áreas de exploração (o Bloco 3/05 e a Zona Sul Terrestre de Cabinda) exportaram o barril produzido acima dos USD 46. Os dois maiores contribuintes para a produção petrolífera nacional (os Blocos 17 e 15, que representam, em conjunto, o equivalente a 56% da produção total) exportaram cada barril produzido a USD 42,66 e USD 44,14, respectivamente. O Bloco 17, situado na Bacia do Congo, ao largo de Cabinda engloba o projecto CLOV (Cravo, Lírio, Orquídea e Violeta), e é operado pela Total. O Bloco 15 abarca o projecto Satélites do Kizomba, operado pela Esso.

‘Folga’ orçamental
Mesmo assim, o valor médio mensal da receita petrolífera captada fica acima do previsto no Orçamento Geral de Estado Revisto para este ano. O OGE 2015 Revisto inscreve a verba de Kz 1.039,19 mil milhões para o conjunto da receita petrolífera a captar, incluindo a receita da concessionária. Se multiplicarmos a receita média dos três primeiros meses de 2015 pelo conjunto do ano obtém-se o valor Kz 1.457,34 mil milhões, o que significa que há uma ‘folga’ de cerca de Kz 400 mil milhões em termos de execução orçamental e que tem a ver com o preço de referência fiscal do barril (USD 40) em que assenta o OGE Revisto.

A quebra do preço do barril de exportação em relação a Janeiro é muito significativa (de USD 59,92 para USD 43,74), o que se traduz num recuo da receita petrolífera total de Kz 139,5 mil milhões em Janeiro para cerca de Kz 103,4 mil milhões em Fevereiro. A variação homóloga, que compara a receita de Fevereiro com a do mesmo mês de 2014, é ainda mais desfavorável, representando uma quebra de mais de 52%. E se, quando se compara Fevereiro deste ano com o mesmo mês de 2014, o volume de exportação cresceu quase 9 milhões de barris, o preço médio a que foi vendido o barril passou de USD 106,75 para USD 43,74, um recuo de 59%.

Défice com o exterior
O impacto da quebra do preço do barril de petróleo exportado reflecte- se nas contas com o exterior, apresentando Angola, segundo um estudo da agência Bloomberg, uma das piores posições entre as 39 economias que deverão registar este ano défice nas respectivas balanças correntes com o exterior. O Líbano ocupa o último lugar do ranking que classifica as economias do ponto de vista do seu saldo corrente com o exterior, com um défice de 13,9% do PIB, antecedido por dois países africanos: Gana (9,5%) e Angola (9,3%). O ‘Bloomberg Commodity Index’, que agrupa 22 matérias-primas, já caiu 4% desde o início deste ano. Entre Abril de 2015 e Janeiro deste ano o índice perdeu 36% do seu valor, constituindo a explicação para que uma larga variedade de países se confrontem hoje com um saldo negativo nas contas externas. Entre os países que perdem com o actual panorama do comércio global figuram tanto economias ricas e avançadas, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França e Nova Zelândia, como economias emergentes, como é o caso do Brasil e da África do Sul.

Fonte: O País

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