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Imigração ilegal preocupa Angola e Congo Brazzavile


Imigração ilegal preocupa Angola e Congo Brazzavile

A Polícia Nacional admitiu a existência de mais de meio milhão de imigrantes ilegais no país, classificando a situação como uma 'invasão silenciosa' e garantindo prioridade no combate ao problema.

Para reforçar essa posição, o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, exortou na semana passada, ao trabalho conjunto com as autoridades da vizinha República do Congo para travar a imigração ilegal e reforçar os mecanismos de controlo.

"Devemos trabalhar juntos para evitar a imigração ilegal e prevenir as suas consequências nefastas, através da estrita aplicação dos instrumentos bilaterais existentes e do reforço dos mecanismos de controlo dos dois países", disse José Eduardo dos Santos.

Depois de recordar a "história comum e o passado recente de grandes sacrifícios", na luta de libertação nacional, o Presidente angolano sublinhou que ambos os países trilham hoje "os caminhos da soberania plena e almejam atingir o desenvolvimento que proporcionebem-estar, felicidade, paz e segurança a todos os cidadãos".

"São estes objectivos, aliados à confiança recíproca que soubemos construir, que nos motivam a incrementar a nossa cooperação bilateral", defendeu o Presidente angolano. Angola e a República do Congo partilham uma fronteira terrestre (no enclave de Cabinda) e marítima.

A visita de Estado de Denis Sassou NGuesso a Angola surge depois da conclusão da reunião de sétima comissão mista e envolve a assinatura de acordos entre os dois países nos domínios da defesa, transportes fluvial e marítimo, comércio transfronteiriço e supressão de vistos nos passaportes diplomáticos e de serviço.

"Sugerimos o reforço e aperfeiçoamento das regras que regem a circulação de pessoas e bens, por forma a disciplinar mais o comércio na zona transfronteiriça e assegurar o contacto regular entre as estruturas administrativas dos dois países", apontou ainda José Eduardo dos Santos, defendendo a criação de "mecanismos de gestão e acompanhamento dos compromissos assumidos" na cooperação bilateral.

Os dois chefes de Estado reuniram-se em privado, tendo antes Sassou NGuesso sublinhado o papel de Angola na liderança da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), numa altura em que o Presidente da República do Congo tem mediado o conflito na República Centro-Africana, um dos países que integra esta comunidade.

"Pode continuar a contar com o apoio de Angola no cumprimento desta missão. Na verdade, Angola e a República do Congo têm o dever moral, por razões históricas, de desenvolver todos os esforços ao seu alcance para que o nosso continente, de um modo geral, entre numa era de paz, estabilidade, progresso e bem-estar dos seus povos", rematou José Eduardo dos Santos.

Por outro lado, o Chefe de Estado congolês, Denis Sassou Nguesso, defendeu a necessidade do reforço da cooperação cultural com Angola, visando "restaurar" factos históricos que ligam os dois povos.

Denis Sassou Nguesso discursava na sessão solene da Assembleia Nacional convocada por ocasião da sua visita de Estado de três dias. "O Congo e Angola têm relações muito antigas e sempre frutuosas", declarou, referindo que evocar o relacionamento não é fazer prova de cortesia diplomática, mas lembrar factos que atravessaram a história dos dois países.

O Congo e Angola têm o seu destino ligado e anterior ao momento em que as potências europeias decidiram partilhar África em zonas de ocupação em 1885, na Conferência de Berlim. Para o estadista congolês, o projecto ambicioso dos dois estados de restauração dos seus locais de memória reforça a necessidade de uma cooperação cultural entre ambos os países.

Referir a destruição pelos portugueses de Mbanza-Kongo, a capital do reino do Congo, é uma triste lembrança para os povos dos dois países, porque marca o ponto de separação das famílias e dos clãs. "Quando os artistas congoleses exaltam o Kongo dya Ntotila, não se enganam: cantam bem este parentesco que une os povos congolês e angolano".

Na província de Benguela, Denis Sassou Nguesso deslocou-se ao município do Lobito, onde se inteirou do funcionamento de várias infra-estruturas económicas. O estadista congolês observou empreendimentos do Corredor do Lobito, nomeadamente o Porto e suas unidades dependentes (Porto Seco, Porto Mineiro e Terminal de Contentores) e a Estação nº 0 dos Caminhos-de-Ferro de Benguela.

Além do seu porto de águas profundas, ao corredor do Lobito associa- se uma linha férrea transfronteiriça que liga Angola às Repúblicas da Zâmbia e Congo Democrático, a leste, infra-estruturas importantes que vão beneficiar os interesses dos países da África Austral e Central, no âmbito das relações de cooperação com Angola.

Fonte: Novo Jornal

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