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Burocracia migratória «afasta» investimento americano do País


Burocracia migratória «afasta» investimento americano do País

A Câmara de Comércio EUA-Angola diz estar a esforçar-se para promover a diversificação das relações comerciais entre os dois países, mas alerta que as dificuldades na concessão de vistos de entrada a empresários norte-americanos por parte das autoridades locais têm sido um dos principais entraves.

A burocracia na concessão de vistos está a impedir a entrada de empresários norte-americanos que pretendem investir no País, sobretudo fora do sector petrolífero, afirmou, recentemente, em Luanda, o director executivo da Câmara de Comércio Estados Unidos da América-Angola (USACC), Pedro Godinho. Falando a jornalistas, o responsável realçou ser importante que as autoridades criem as premissas necessárias para facilitar a entrada de mais investidores.

"Temos membros que inúmeras vezes têm de se deslocar a Joanesburgo para se encontrarem com potenciais parceiros vindos dos EUA, porque os empresários não conseguem ter vistos de entrada para o País com a celeridade que as circunstâncias exigem, e, em termos de negócios, tempo é dinheiro", sublinhou.

O director executivo da USACC referiu que, na actividade privada, dinamismo e tempo são os factores fundamentais para o sucesso da carreira empresarial. "Muitas vezes, as pessoas querem tratar de um assunto em dois, três dias, mas as autorizações para acesso ao País só se conseguem em três, quatro, cinco semanas, e isto em termos de negócios é bastante complicado", enfatizou o responsável.

Pedro Godinho defendeu que a questão da facilitação de acesso ao País tem de ser resolvida, até para que Angola possa também desenvolver actividades turísticas, dado o seu potencial nesta área, disse, sublinhando que as dificuldades não se limitam apenas aos investidores.

O director executivo lembrou que há países que vivem apenas do turismo e que "Angola tem também qualidades e características" para tal, sendo papel da USACC identificar todos os factores que possam facilitar ou dificultar a atracção de investimentos.

Diversificação das relações comerciais é aposta

Pedro Godinho destacou que, de há um tempo a esta parte, EUA e Angola têm vindo a envidar esforços no sentido de diversificarem as suas relações comerciais, tradicionalmente assentes no petróleo, cujo preço baixou 'consideravelmente' no mercado internacional, comprometendo as metas de crescimento económico previstas.

Por esta razão, prosseguiu, a Câmara acha ser "vital" incentivar e estimular investimentos americanos fora deste sector. No mês passado, revelou, a USACC trouxe um grupo de empresários americanos a Angola. Para além de Luanda, os empresários também se deslocaram a Cabinda, onde foram identificadas várias áreas potenciais de investimento.

"Por aqui podemos concluir que os empresários americanos não querem somente o petróleo de Angola, não querem só entrar para o sector petrolífero, mas querem ter a oportunidade de investir noutras áreas", sublinhou Godinho. Para o director executivo, depois do petróleo, um sector com potencial para atrair investimentos é o mineiro. Por esta razão, explicou, no último First Friday Club, convívio entre executivos promovido todos os meses pela USACC, a organização que dirige convidou o ministro angolano da Geologia e Minas, que falou sobre o impacto do investimento mineiro no processo de diversificação da economia.

Brilho dos diamantes atrai investidores americanos

Godinho indicou que os diamantes e as rochas ornamentais são os minerais em que os empresários americanos têm, neste momento, maior interesse em investir. Aliás, disse, uma empresa dos EUA manifestou interesse em instalar no País uma fábrica de materiais de construção. Questionado sobre se é certo que os contactos efectuados no País pelos empresários americanos irão resultar em investimento, Pedro Godinho disse ser essa a "esperança" da USACC, mas realçou que existe uma "diferença muito grande" entre as culturas de negócios dos dois países.

"Temos consciência de que o empresário americano, antes de engrenar numa relação duradoura e sustentável, quer conhecer profundamente o seu parceiro, e isso, naturalmente, leva algum tempo. Mas quem se propõe vir para Angola, gastando alguns recursos financeiros, é porque está interessado, e é um facto que o País tem um mercado de negócios que atrai qualquer investidor", afirmou.

Código Mineiro é instrumento-chave

O principal instrumento para organizar o processo de investimento privado nas minas é o Código Mineiro, considerou o ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz. Segundo o governante, trata-se de um diploma legal "moderno, que integra soluções eficazes sobre os procedimentos para investir" no sector mineiro, transmitindo segurança jurídica ao investidor e clarificando as 'regras do jogo' nas relações institucionais, contratuais e convencionais com os investidores privados.

O ministro indicou o Plano Nacional de Geologia (PLANAGEO), em curso até 2017, como outro "grande instrumento" de promoção e captação de investimento privado. Segundo Queiroz, o PLANAGEO é, actualmente, "o maior e o mais completo programa de produção de informação geológica ou mineira do mundo".

Fonte: Expansão

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