contact@aopi.org Thursday - December 14,2017

Buracos, águas e lixos condicionam trânsito automóvel em Luanda


Buracos, águas e lixos condicionam trânsito automóvel em Luanda

O trânsito automóvel na avenida Ngola Kiluanji está cada vez mais difícil para os automobilistas que diariamente fazem o trajecto São Paulo-Cuca e vice-versa.

Os enormes buracos que se encontram naquela via, com maior incidência entre a Cipal e a linha férrea, deixam profundamente irritados os automobilistas, que se queixam dos danos causados às suas viaturas, provocados pelas "crateras", tal como reportam as imagens fotográficas de Ampé Rogério.

"O trânsito está dominado pelo inferno. Cada dia que passa piora", reclamaram populares e automobilistas, particularmente taxistas, que têm aquela rota como o principal meio para a sua actividade de transporte de passageiros e para o sustento das suas famílias.

"As rótulas, os amortecedores e os terminais das nossas viaturas estão sempre a estragar por causa dos buracos na via. Ninguém nos paga os prejuízos. Onde é que está o governo", perguntava o taxista "Joãozinho", apoiado pelos seus colegas.

"Ainda por cima" - acrescentou um outro taxista, "pagamos a taxa de circulação a 7500 Kwanzas por uma viatura Hiace e não vemos melhoria nas vias. A situação está a piorar e os buracos estão a ficar cada vez maiores. Para onde vai afinal o nosso dinheiro", questionaram-se taxistas e demais automobilistas. Os buracos que se espalham pela avenida, tal como apurámos esta semana no local, têm feito com que muitas viaturas fiquem "presas" nas covas e só consigam sair apenas depois de empurradas por populares, ou ainda se puxadas por outras viaturas. A travessia é lenta, facto que deixa condicionado o trânsito por largas horas.

"Há bem pouco tempo, um autocarro esteve preso aqui mesmo neste buraco", disseram populares que ajudavam automobilistas a retirar viaturas presas nos buracos da estrada, enquanto fazíamos esta reportagem na manhã de terça-feira 26.

Para facilitar o tráfego, os agentes reguladores de trânsito destacados na Avenida Ngola Kiluanje viam-se obrigados a criar duas faixas de rodagem num único sentido. Ou seja, os automobilistas que vinham do São Paulo, desviavam o trajecto por alguns metros, passando pela faixa contrária, entre a Cipal e a linha férrea e depois seguiam para a zona da Cuca.

"É melhor mesmo fazerem esta reportagem para quem manda ver que isto está mal", disse um agente da polícia de trânsito, também ele visivelmente incomodado com o enorme engarrafamento provocado pelos buracos, sem que haja qualquer intervenção das autoridades municipal ou provincial.

"O administrador do Cazenga parece que não passa por aqui, porque se não esta avenida já estaria boa. Este problema não é de hoje e vem-se agravando diariamente. Mas, se disserem que o Presidente vem ao Cazenga, em pouco tempo a via será arranjada. Queremos uma visita senhor Presidente", pediram os munícipes aflitos. Estrada da Nocal inundada Uma outra via que chamou à atenção da nossa reportagem, foi a estrada da rua da Nocal que faz a ligação à Avenida Ngola Kiluanji.

A rodovia encontra-se totalmente esburacada, facto que tem também contribuído para um engarrafamento "selvagem" por aquelas paragens.

O asfalto quase já não existe, e para piorar a situação, o mau parqueamento das viaturas por parte dos taxistas afigura-se como outra das causas da confusão total. Cuca -Nocal, Cuca-Comarca ou ainda Cuca - "Esquanza", (termo informal relacionado ao kwanza) são trajectos percorridos com muitas dificuldades por taxistas e automobilistas. A quantidade de lixo, logo à entrada da via quase fecha a estrada. Outra das situações que despertou a atenção da nossa reportagem que a escassos metros dali ainda teve de se deparar com inundações motivadas por rebentamentos da tubagem de água da EPAL, segundo munícipes.

"Há duas semanas que rebentou um tubo de água e está a deixar toda esta zona inundada e intransitável. Ninguém está a ver isso", reclamou um morador vizinho da fábrica de plásticos Siga. "O governo tem de nos ajudar. Podiam olhar para o povo. A situação assim está mal", reclamou Gustavo kaimesa, taxista que percorre a rota Cuca-Nocal.

A mobilidade não só ficou difícil para automobilistas, mas também para os transeuntes, devido às águas que inundam a estrada e demais ruas. Populares vêm-se obrigados a pagar 50 kwanzas para serem transportados às costas, ao colo ou em carros de mão, segundo revelou à nossa reportagem o segurança Manuel Natangu Ampassi, que protege um armazém nas imediações.

"Mano, esta água está a complicar a vida das pessoas. Tanto os que têm carros como os que andam a pé, estamos todos a sofrer. As pessoas são obrigadas a trepar às paredes para passar, outros pagam dinheiro e os que têm carros estão a estragar as suas viaturas nos buracos nesta água da EPAL", disse o entrevistado, acrescentando que a situação foi pior na época das chuvas.

Reabilitação de vias

O governo de Luanda anunciou esta semana, o arranque de algumas obras de intervenção em zonas urbanas da cidade, tais como as ruas Comandante Argulles e Marien Ngouabi que desde segunda- feira se encontram condicionadas ao trânsito para trabalhos de reabilitação.

Nos referidos troços, a circulação de viaturas está a ser condicionada durante o período diurno e é totalmente encerrada das 22 horas às 6:00 do dia seguinte. "Durante seis meses, o procedimento será igual em todas a vias em que haverá obras e não será também permitido nem estacionamento, nem parqueamento de viaturas nas ruas que estiverem a ser intervencionadas", lê-se no comunicado do governo da província de Luanda que apela à compreensão de todos.

A nossa reportagem também constatou trabalhos de reparação na via da Frescangol, no município do Cazenga. A circulação do troço que liga à Avenida Ngola Kiluanji, também conhecida por estrada da Cuca, está a beneficiar de trabalhos de reparação durante o período nocturno, tal como informa o aviso do governo de Luanda.

Entretanto, munícipes de outras zonas também apelam para a reabilitação imediata das vias secundárias e terciárias. Em Viana, moradores apelam à administração local a proceder a trabalhos de terraplanagem nas principais ruas que ligam à avenida Deolinda Rodrigues.

Várias vias daquelas zonas encontram-se ainda inundadas e esburacadas o que torna difícil a mobilidade das populações. Um outro repto é lançado pelos moradores dos Mulenvos de Cima, na mesma localidade, que para além de, ansiarem pela construção de estradas, apelam também à reposição da ponte retirada há já alguns anos pelo governo.

Que prometera, entretanto, a recolocação de uma ponte para facilitar a circulação automóvel. Os moradores da conhecida zona da ponte "partida" dizem que a sua falta tem criado dificuldades à vida já complicada das populações.

Fonte: Novo Jornal

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