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Receita petrolífera quebra mais de USD 5,5 mil milhões


Receita petrolífera quebra mais de USD 5,5 mil milhões

Apesar da recuperação da exportação para níveis de 2013, nos primeiros quatro meses do ano a exportação de petróleo angolano registou um recuo da ordem dos 58% em relação a igual período de 2014. É que se o preço médio do barril de exportação naquele período foi de USD 107 em 2014, agora foi de USD 52,48

A receita petrolífera total caiu, nos quatro primeiros meses deste ano, mais de Kz 611,5 mil milhões (o equi­valente a cerca de USD 5,54 mil mi­lhões) relativamente a igual período de 2014. O que significa que quando se comparam os primeiros quatro meses de 2014 e igual período deste ano o recuo é da ordem dos 58%.

Tal fica-se a dever à quebra veri­ficada no preço médio a que foi ex­portado o barril de petróleo no refe­rido período (USD 52,48 por barril no primeiro quadrimestre deste ano contra USD 107 no período homólo­go de 2014).

De acordo com os dados respei­tantes às receitas petrolíferas ordi­nárias mensais do Ministério das Finanças, em Abril o preço médio de exportação foi de USD 51,88, o que representa um recuo em rela­ção a Março, mês em que o preço médio do barril de exportação foi de USD 55,38, indiciando uma re­cuperação depois de, em Fevereiro, ter caído para USD 43,74 e em linha com a recuperação dos preços dos contratos de futuros internacionais, designadamente do Brent, o tipo de crude que mais se assemelha às ra­mas angolanas. Entre 2 de Janeiro e 30 de Abril, a cotação média do barril de Brent no mercado de futu­ros a 45 dias em Londres foi de USD 57,38, sendo que o valor mais alto atingiu os USD 67,58 e o mais baixo USD 47,58, uma diferença de USD 19,9 que evidencia a volatilidade do mercado. Um valor que se situa aci­ma do preço médio de exportação do barril angolano durante aquele período (USD 52,48 por barril).

De referir que o preço do barril de Brent sobe à medida que se vai alon­gando o prazo dos contratos, supe­rando a fasquia dos USD 70 para os contratos celebrados tendo como horizonte o mês de Fevereiro do próximo ano. Mas só a partir do mês de Julho de 2021 o preço do barril ultrapassa os USD 75. Se o sentido ascendente dos preços dos contratos de futuros dá uma indicação de que a tendência de evolução do preço do barril é de que suba, também con­firma que a recuperação será lenta e que não deverá ir além dos USD 70 este ano e no próximo. É evidente que esta tendência poderá ser alte­rada por múltiplos factores, tanto no sentido de uma recuperação mais rápida, como de uma nova inversão de trajectória.

Produção recupera

Nos primeiros quatro meses do ano, as exportações angolanas pratica­mente voltaram ao nível verificado em igual período de 2013, superan­do mesmo ligeiramente o valor en­tão verificado, atingindo um volu­me de 210,39 milhões de barris. Nos primeiros quatro meses do último ano, o volume de exportação quedara-se pelos 192 milhões de barris. Todavia, este aumento na produ­ção não chegou para compensar a quebra verificada a nível do preço de exportação. Também a receita da concessionária tombou significa­tivamente no período em questão, passando de Kz 695,46 mil milhões em 2014 para Kz 276,58 mil milhões este ano, uma quebra da ordem dos 60%.

É o Bloco 17, localizado na Ba­cia do Congo, ao largo de Cabinda, que dá o maior contributo para a exportação do petróleo nacional, com uma produção agregada, nos primeiros quatro meses do ano, de 20,45 milhões de barris, graças so­bretudo ao projecto CLOV, coloca­do em operação pela Total Angola e que, desde Julho de 2014, produz cerca de 160 mil barris por dia. No seu conjunto, o Bloco 17 represen­tando actualmente mais de um ter­ço da produção petrolífera angola­na, com uma contribuição de cerca de 600 mil barris diários. Além do CLOV, o Bloco 15 compreende ainda os pólos Girassol, Dallia e Pazflor.

O segundo maior contributo para as exportações petrolíferas nacio­nais vem dos Bloco 15 e 15/06, O Bloco 15, que alberga o projecto Sa­télites do Kizomba e é operado pela Esso Exploration Angola, em con­junto com o Bloco 15/06, operado pela ENI, foram responsáveis pela exportação de perto de 10,5 milhões de barris. Mais de 60% da exporta­ção angolana de petróleo fica-se a dever aos Blocos 17, 15 e 15/06, este último com um contributo de 949,3 mil barris nos primeiros quatro me­ses do ano. Seguem-se os Blocos de Cabinda (0A e =b), com 8,2 milhões de barris no período, o Bloco 18 (4,4 milhões de barris exportados), o Bloco 14 (3,9 milhões de barris) e o Bloco 31 (perto de 3,7 milhões de barris).

Fonte: O País

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